O sonho do primeiro título de relevância em 113 anos de história, logo na primeira competição continental, está sob ameaça para a Ponte Preta. Azarão na final da Copa Sul-Americana 2013, o time quase provou do próprio veneno na noite desta quarta-feira, no Pacaembu, em São Paulo: dominou a partida, mas quem conseguiu um gol foi o Lanús, da Argentina, que marcou de falta. A derrota foi evitada também de falta.
Até então, a Ponte havia eliminado dois adversários mais gabaritados usando essa tática: jogando fechada e se aproveitando dos contra-ataques. Nas quartas de final, por exemplo, ficou no 0 a 0 dentro de casa contra o Velez Sarsfield, da Argentina. No jogo de volta, em Buenos Aires, segurou-se como pôde e conseguiu marcar dois gols no final – um deles fruto do desespero adversário.
Contra o São Paulo, a fórmula foi a mesma: conteve o adversário em pleno Morumbi com uma excelente atuação defensiva e, quando foi à frente, teve ótimo aproveitamento. Fez 3 a 1. No jogo de volta, entrou em campo esperando marcar uma vez para praticamente eliminar as chances são-paulinas. Conseguiu isso no começo do segundo tempo, e com o empate por 1 a 1, em Mogi Mirim, confirmou a vaga inédita à final.
Ponte Preta reage na etapa final após levar gol de falta e, da mesma maneira, empata por 1 a 1 com o Lanús, no Pacaembu, pela primeira final da Copa Sul-AmericanaSaiba mais
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
A Ponte da noite desta quarta foi diferente: não se atirou para cima do Lanús, mas se manteve constantemente no campo de ataque e com posse de bola. E não por definição do time argentino, que entrou em campo com esquema com três atacantes e três meio-campistas, mas demorou para se encontrar. A Ponte Preta foi jogando e ganhando confiança, embora tivesse poucas chances reais de gol.
Quando chegou bem, esbarrou nos problemas de conclusão. Já o Lanús quase não incomodou, mas quando o fez, tirou o fôlego dos torcedores campineiros. Foi assim na chance bizarra perdida pelo ex-corintiano Santiago Silva, aos 44min, quando recebeu cruzamento rasteiro e, na pequena área, errou o gol vazio. O primeiro gol saiu depois de falta boba na intermediária. Aos 12min do segundo tempo, Goltz cobrou no canto direito de Roberto, que sequer se mexeu.
Fellipe Bastos aproveitou sua especialidade e cobrou falta salvadora no final do segundo tempo Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Era o que a equipe argentina precisava: com tranquilidade, fechou-se esperando mais brechas no sistema ponte-pretano, mas sem arriscar. O time brasileiro sentiu o baque e não conseguiu se recuperar. Na reta final da partida, sobraram erros de passe e faltas duras, que irritavam a torcida e ainda mais os jogadores. A catimba argentina foi menos escancarada e mais eficiente do que a apresentada com tanto afinco pelo meia-atacante Rildo, que se jogou sem enganar o árbitro e errou passes por preciosismo. Quando deu lugar a Chiquinho, correu direto para o vestiário.
O pior não ocorreu por um detalhe aos 33min. Chiquinho disputou bola com Izquierdos no campo de ataque, se enroscou e caiu na intermediária. O árbitro não só não marcou falta, como advertiu o atleta, mandando-o levantar. O auxiliar, no entanto, deu a falta. Izquierdos recebeu cartão amarelo. Na batida, Felipe Bastos deu o troco: acertou o canto esquerdo de Marchesín, que nem se mexeu.
Bom para a Ponte Preta é o fato de, na final, o gol fora de casa não ser critério de desempate. Para a partida de volta, na Argentina, qualquer empate leva a decisão para a prorrogação e, se for mantido, para os pênaltis. Pode ser que a equipe seja mais uma vez franco-atiradora. Pode ser que a Ponte seja campeã sul-americana. Pode ser que seja campeã após 113 anos de história.
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