segunda-feira, 22 de julho de 2013

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Como está sua sexualidade e qual o ‘tempero’ do seu relacionamento?

Gisele Wardani Fale com o repórter
Publicado em: 21/07/2013 - 00:00 | Atualizado em: 19/07/2013 - 20:30
Falar de sexualidade nem sempre é tão simples. Mas nos últimos tempos, as literaturas que surgem no mercado têm instigado a imaginação, despertado curiosidades e colocado o assunto em voga. De acordo com a sexóloga Marley Reis, o livro ’50 Tons de Cinza’, da autora E. L. James, traz a história de um jovem bilionário, bonito e poderoso, em um universo ainda pouco explorado do ‘sadomasoquismo’. “A história atraiu milhares de leitores e se tornou um best-seller, que permaneceu por meses em primeiro lugar nas vendas. Os personagens Christian Grey e Anastasia Stelle fazem parte do imaginário de muitos hoje em dia”, destaca.
Segundo Marley, o público feminino prefere mais esse tipo de leitura que os homens. “O personagem central Christian Grey é excessivamente idealizado , porém a leitura pode ser interessante para ambos, mesmo se a pessoa não tiver interesse na relação narrada de submissão e dominação, a forma como é feita a narrativa das relações sexuais agrada ambos os sexos e abre a mente para novidades”, diz.
Marley esclarece, ainda, que a leitura de livros com conteúdo adulto ajuda a desinibir. “Esses livros trazem novidades em brinquedos eróticos ou situações inusitadas que podem ajudar a aquecer a relação sexual. E o fato de ler sobre sexo ajuda a pensar sobre sexo e isto é ótimo para a preparação e o relacionamento”, comenta.
Depois de ’50 Tons de Cinza’ surgiram dezenas de títulos com o mesmo tema. “E isso é ótimo, inclusive li alguns que são melhor escritos do que esta trilogia, e posso citar ‘Toda Sua’, trilogia Crossfire de Sylvia Day, que é maravilhoso e aconselho a leitura, Irresistível, da mesma autora, Luxúria, de Eve Berlin e ainda Algemas de Seda, de Frank Baldwin, porém, não podemos esquecer que é uma literatura de ficção e não devemos idealizar as relações sexuais em cima destes livros, ele deve servir como ‘tempero’, mas não tratam a realidade”, enfatiza
Marley avisa que as relações devem ser baseadas no que é bom e excita ambas as partes. “Cito o exemplo da mulher que não tem como perfil gostar de levar umas palmadas durante a relação sexual e aceita, apenas, para agradar o parceiro. Nada pode ser considerado errado se é feito em comum acordo, entre dois adultos capazes e plenos de sua sexualidade”, completa.
Segundo ela, as mulheres criam cenários de romantismos que nem sempre se concretizam. “E se decepcionam quando as coisas não acontecem como planejam, enquanto que os homens falam muito mais por ações do que com palavras, e se ele não ligou no dia seguinte é porque simplesmente não sentiu vontade de ficar mais com você, desculpe, mas esta é a verdade, então veja o que deve mudar na forma de agir”, dispara a sexóloga.
Segundo ela, o segredo das “mulheres sedutoras” é que adorar a vida e tudo o que fazem. “Elas são apaixonadas pela profissão, pelo curso que estão fazendo na universidade, por seus projetos ou mesmo a aula de dança ou academia que freqüentam, adoram ser elas mesmas, e as mulheres devem começar amando a vida e se amando, pois todos gostam de pessoas felizes, e em primeiro lugar tenha um sorriso especial para cada ocasião”, detalha.
Sem hora marcada
Muitos casais apostam nas aventuras eróticas para apimentar o relacionamento, e encher de emoção o sexo. “Na verdade toda a sensação de fantasiar e do proibido, está muito ligada ao sexo. Em muitos casos, há um fator de exibicionismo no ato, a sensação de poder estar sendo observada é o que promove a excitação, mas para que isso aconteça os dois precisam estar em sintonia. Para algumas pessoas, o ritual do sexo em casa é extremamente prazeroso. Já para outras, pode não ser suficiente para causar excitação. Por isso, elas buscam vivenciar momentos de intensa adrenalina”. Marley sugere o livro ‘101 Lugares para Fazer Sexo Antes de Morrer’, dos autores Marsha Normandy e Peter Joseph St James.
31 de julho: o dia do orgasmo
Dia 31 de julho foi instituído, de acordo com a sexóloga, o Dia do Orgasmo, na Inglaterra em 1999.  “Por mais que as coisas estejam muito diferentes das últimas décadas, é comum mulheres relatarem que nunca tiveram prazer, que jamais atingiram o orgasmo, não têm satisfação sexual e se sentem incompletas sexualmente, sem falar a quantidade de homens que sofrem com alguma disfunção sexual, e simplesmente se fecham, não buscam ajuda por medo ou vergonha”, destaca.
Segundo ela, o orgasmo não pode ser o único objetivo, mas é importante descobrir como atingi-lo. “Ele, na verdade, é uma consequência do bem estar sexual, de uma relação afetiva de confiança, entrega, intimidade, cumplicidade, boa saúde e de felicidade. Satisfação sexual é sinal de qualidade de vida”, enumera.
Em sintonia com o amor!
“Seria uma maravilha se a cada encontro aumentasse a química do amor, mas na vida real não é bem assim”, comenta Marley. Então, como vencer o descompasso? “São muitos casais que reclamam do ritmo de seus parceiros sexuais. E muitas vezes a falta de sintonia é tamanha que no final das contas, ou melhor, do ato, é comum que elas e eles se sintam-se insatisfeitos”.
Os homens produzem 10 vezes mais testosterona que as mulheres, e essa substância é a grande responsável pelo impulso sexual. “Como tal descarga hormonal ocorre em ondas (de cinco a sete vezes por dia), não é difícil que o homem pense em sexo enquanto está num congestionamento ou na fila do banco. E uma dica para as mulheres é que trabalhem a mente antecipando a noite de prazer no imaginário e quando esta se arrumando para seu amado, comece a pensar como é bom ficar com ele, pode ter certeza a você estará mais pronta sexualmente para quando ele chegar e terá maior facilidade de se entregar plenamente”, destaca.
Passado não pode ser obstáculo
Acontecimentos do passado podem, muitas vezes, se tornarem barreiras nos relacionamentos. “Não somos feitos de traumas, ao contrário somos feitos para ser feliz, e nossa principal busca é a felicidade, e é preciso alimentar a auto-estima, olhar-se no espelho, enumerar suas qualidades sem modéstia e nem críticas, o importante é sentir-se bonita e atraente, mudar o que incomoda, mas a maior mudança é interior e tem que partir de cada um”, enfatiza.

Beijo é combustível no relacionamento
O beijo sempre foi um marco dos encontros amorosos. “Ele é um termômetro, pois a ausência do beijo pode sinalizar que a relação está se deteriorando e precisa ser resgatada, com urgência”, alerta a sexóloga Marley Reis. Segundo ela, o beijo é um momento único, de comprometimento maior. “É o começo de uma nova etapa, e através dele você tem maior intimidade, e perceberá se vale a pena seguir em frente, pois tem que haver uma química entre o casal neste momento”, destaca. O beijo é uma excelente preliminar. “Siga seus instintos e desejos, sinta o sabor do beijo, comece lentamente, como se estivessem se conhecendo, é uma forma maravilhosa de intimidade e que a única regra é o carinho”, detalha.
Como esclarecer a criança sobre a sexualidade
“A educação sexual começa em casa”. Assim define Marley Reis, graduada em Educação Sexual pelo Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (ISEXP) de São Caetano (SP), sobre como tratar o assunto com as crianças. “As primeiras noções de valores associados à sexualidade precisa ocorrer em ambiente familiar, pois alguns educam com o silêncio, negando a sexualidade com a ideia de não destruí-la, e outros com a repressão que associa o sexo ao ‘sujo’, à doença, ao indigno e ameaçador”, enumera.
Segundo ela o ser humano tem sexualidade desde a infância. “Freud demonstrou isso há mais de um século”, define. De acordo com Marley, a presença da sensualidade junto ao excesso de informação que as crianças absorvem hoje geram dúvidas, que precisam ser esclarecidas quando apresentadas. “Não é certo ficar perguntando quem a criança está namorando na escola, pois a criança não pode ser estimulada para pensar em namoro, mas sim em brincar, e então os pais devem esclarecer de maneira clara e simples a curiosidade sexual da criança na medida em que ela vai se dando, sem rodeios ou mentirinhas”.

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