Professores e o desafio de formar cidadãos
Publicado em: 12/10/2013 - 00:00 | Atualizado em: 11/10/2013 - 10:05
| Rodrigo Covolan |
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| Professor João Paulo Camargo, há 21 anos em sala de aula: “Metodologia de ensino ficou mais democrática, o professor tem liberdade de ação” |
Educação, conforme o dicionário da Língua Portuguesa, é o “processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual ou moral da criança e do ser humano em geral, visando a melhor integração individual e social”. E esta é a responsabilidade, e um dos desafios, que os profissionais da educação carregam hoje. A escola dá continuidade ao processo iniciado em casa, que é de preparação do indivíduo para a vida, tendo como base a disciplina, a responsabilidade, profissionalização e o estímulo ao exercício da cidadania.
Responsável por alunos do Ensino Médio de 11 cidades da Região dos Campos Gerais, O Núcleo Regional de Educação (NRE) atende 60,7 mil alunos em 133 instituições, dos quais 31,9 mil somente em Ponta Grossa em 59 colégios. Para atender esta demanda são 3,8 mil professores na região, sendo mais de 2 mil educadores somente em Ponta Grossa. Para a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Maria Izabel Vieira, um dos maiores desafios do professor, atualmente, é inserir a tecnologia nas aulas. “Hoje o aluno precisa se sentir atraído pelo assunto e pelo ensino e mais do que ensinar a ler precisamos formar bons leitores”, detalha.
Segundo ela, a rede pública estadual tem acompanhado a evolução tecnológica. “O Estado distribui tablets a todos os professores, lousas digitais, além de multimídias, as escolas logo terão internet com alta velocidade, e outros equipamentos, mas os professores estão sendo capacitados e estimulados a usar, como por exemplo o diário de classe on line que a secretaria já tem projeto piloto e há possibilidade de se estender por toda a rede”, enumera.
Valorização
Izabel avalia que nos últimos anos os professores conquistaram direitos, mas a valorização, agora, precisa vir da família e do próprio aluno. “O ensino passa por diversas nuances, o professor é um artista, pois em uma turma de 30 alunos ele tem que alcançar um ponto para que todos consigam compreender a matéria, que é outro desafio, e a sociedade precisa entender o quanto o professor contribui para o desenvolvimento social”, define.
Preocupação
João Paulo Camargo completa, em 2013, 21 anos de atuação em sala de aula. “Além da falta de estrutura das instituições de modo geral, a falta de valorização do profissional e o não acompanhamento da maioria das famílias em relação à vida escolar dos seus filhos e filhas, e o distanciamento entre os cursos formadores de docentes e a escola são as maiores dificuldades”, destaca.
Para ele, a autonomia do professor em sala de aula ficou mais democrática. “O professor tem liberdade de ação desde que esteja explícito em seu Plano de Trabalho Docente, mas o que tem complicado nossa atuação em sala de aula é o desinteresse crescente dos alunos em geral e a indisciplina que podemos também considerar como indicativos de que as propostas curriculares não estão atendendo os anseios da classe estudantil”, enfatiza.
Preocupação é prender atenção do aluno
E prender a atenção do aluno tem sido a grande preocupação metodológica de João Paulo. “Procuro usar a metodologia de ensino pautada na pedagogia de projetos, onde os conteúdos formais estabelecidos pelas diretrizes curriculares tornam-se objeto de pesquisa e também tendo como aporte as atividades práticas como as aulas-passeio, saídas técnicas e viagens de estudos e dessa forma tenho obtido resultados surpreendentes como o desenvolvimento de vários projetos por iniciativas dos próprios alunos”, conta.
A relação escola e sociedade tem se distanciado nas últimas décadas, tendo a tecnologia como principal causa. “As tecnologias demoram a chegar em sala de aula e quando chegam, praticamente estão defasadas. Nossos alunos sempre estão adiantados com relação à tecnologia, então a expectativa é que as políticas públicas para a educação consigam acompanhar essa dinâmica”, comenta.
Para ele, o uso das novas tecnologias e as questões ambientais são temas interdisciplinares, mas que ainda não fazem parte da pauta das discussões pedagógicas dentro das escolas. “Temos poucos referenciais práticos”. Ao mesmo tempo, a auto estima do professor está baixa. “Os acontecimentos comprovam, entre tantos, ainda a violência em sala de aula contra os professores, todos esses aspectos contribuem significativamente para a baixa auto-estima dos docentes”, conta.
Mas ele ainda é movido por sonhos. “Ainda quero participar da construção de um outro modelo de ensino capaz de realmente permitir aos alunos expressarem e desenvolverem suas aptidões para um mundo real, utilizando efetivamente o conhecimento como instrumento para sua emancipação como cidadã e cidadão”, dispara.
Despertar o gosto pela leitura: meta no ensino fundamental
| Fábio Matavelli |
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| Secretária Municipal de Educação Esméria Savelli: “Se conseguirmos despertar o gosto pela leitura, estaremos cumprindo nosso papel” |
Na rede municipal de ensino, responsável por crianças a partir dos 7 meses de idade até a 4ª série, conta com 86 escolas e 46 Centros Municipais de Educação Infantil, que atendem mais de 32 mil alunos. Para isso, são 2.028 professores. A secretária municipal de Educação, Esméria Savelli, com experiência de 44 anos de atuação, desde a Educação Infantil até coordenação de mestrados, entre esses extremos, ainda, participou da implantação de instituições particulares. “Não pode existir escolas para rico e para pobres, pois a formação profissional é a mesma, e a proposta é que o público seja de qualidade”, explica.
De acordo com Esméria, a Constituição Federal de 88 possibilitou a inserção da classe mais pobre à escola, o que acabou mudando o perfil do ensino público. “Agora desde 2001 tem ocorrido o caminho inverso, a classe média tem buscado a rede pública”, comenta. Com essas mudanças, os professores conquistaram direitos. Em contrapartida, o maior desafio é garantir que o aluno domine a leitura e a escrita. “Hoje estamos fabricando analfabetos funcionais, que lêem, mas não compreendem”, dispara. Para que esse objetivo se cumpra, Esméria acredita que precisam ser retomados alguns pontos da pedagogia tradicional. “O professor precisa revestir de sentido e significados os ensinamentos”, explica.
Segundo ela, depois de aprender a decifrar os códigos, precisa ocorrer o estímulo ao gosto pela leitura. “Há falhas no processo de ensino, pois depois que o aluno aprende o código precisa trabalhar com a interpretação de textos, redação, contação de histórias, através de mediadores de leitura, e se nós professores ensinarmos a criança a gostar de ler com certeza já cumprimos o nosso papel, porque a sociedade mudou e este estímulo não vem mais de casa”. Para isso, vale a criatividade do professor e a qualificação profissional dele. “Hoje até os bebês são estimulados pela tecnologia, mas precisamos voltar com a contação de histórias, as brincadeiras de roda, de bolinhas de gude, de contar vaga-lumes, de aprender as fase da lua apreciando as noites, enfim, é essa prática cotidiana, que hoje está esquecida, que precisa ser retomada em sala de aula e também em casa, porque o que era comum antigamente hoje são as maiores novidades para as crianças”, acrescenta.
Autoridade
Segundo Esméria, a autoridade do professor, que antes era imposta, hoje é negociada. “Antes o aluno chorava quando era repreendido, agora eles enfrentam, e o professor precisa desenvolver estratégias e ao mesmo tempo as famílias perceberem que o professor é um parceiro, e jamais desconstruir a autoridade da escola que é o educador”.
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