Kevin é esquecido em amistoso, e Marin joga responsabilidade para bolivianos
No dia 13 de março, há menos de um mês, a Confederação Brasileira de Futebol - CBF -, confirmava a disputa de um amistoso contra a Bolívia, cuja renda seria revertida para a...
Lucas Borges
Marin e Evo Morales, presidente da Bolívia
Parecia uma boa forma de diminuir o impacto negativo gerado contra os torcedores corintianos, acusados de terem atirado o sinalizador que acabou matando Kevin durante aquela partida e de fazer uma propaganda positiva a favor da seleção.
Neste sábado, 6 de abril, no entanto, Kevin e sua família foram totalmente esquecidos no amistoso disputado na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra, chamado de ‘Jogo da Paz.’
A mudança de discurso começou já na semana do jogo. A Federação Boliviana de Futebol alegava que o dinheiro com a venda de ingresssos para o duelo não seria destinado exclusivamente à família de garoto, que teria que dividir a quantia com os gastos da partida e com ex-jogadores da Bolívia campeões da Copa América de 1963.
Ainda abalado pela morte de seu filho, Limbert Beltrán Espada mostrou insatisfação com a decisão e preferiu não comparecer ao estádio para ver o amistoso. Melhor para ele. Em nenhum momento a jovem vítima de 14 anos foi lembrada, fosse no sistema de som do Estádio Tahuichi ou em cartazes de torcedores.
Antes do apito inicial, a memória de Kevin parecia que finalmente seria honrada quando o juiz determinou um minuto de silêncio. Engano. O luto era para um ex-dirigente da federação de futebol local.
"Também achei estranho. Até comentei com o Marco Polo", admitiu o presidente da CBF, José Maria Marin, ao lado do vice-presidente da entidade, Marco Polo Del Nero.
Mas Marin não quis se envolver em polêmica. "Somos apenas visitantes, não podemos fazer nada. Eles são os anfitriões", disse o dirigente, que tentou desvincular a partida da homenagem ao jovem boliviano. "Esse jogo já estava marcado havia muito tempo. É mais uma medida para nos aproximarmos dos nossos vizinhos sul-americanos."
Um novo amistoso entre Brasil e Bolívia pode acontecer ainda neste ano, segundo o presidente da CBF, agora em solo brasileiro, mas não necessariamente em tributo a Kevin. "Não vamos misturar as coisas", afirma o líder da CBF. Ele preferiu dedicar seus esforços aos pedidos de liberação dos 12 torcedores corintianos presos em Oruro acusados do disparo do sinalizador.
Lucas Borges
Marin abraço garoto durante Brasil e Bolívia; ao fundo, Del Nero e o deputado federal Vicente Cândido
O técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, também ‘tirou o corpo fora’ e declarou: "Eu, como técnico da seleção, fui consultado se gostaria de jogar e disse que sim. Essa é minha parte, não entro em aspecto político, social."
O único que parecia se lembrar do motivo inicial do jogo era Neymar. "É um caso chato, muito triste, ainda mais para a família. Mas se a gente puder ajudar de alguma forma é ajudando o futebol, fazendo gol. É nossa forma de ajudar a família e hoje a seleção fez isso", opinou o santista.
Limbert, pai de Kevin, disse não ter sido procurado por ninguém sobre a divisão da renda do amistoso ou sobre a verba do encontro da próxima quarta-feira, pela Libertadores, entre Corinthians e San José, que poderia ser doada pelo time paulista. Segundo ele, até agora só se trata de especulação.
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