Ações contraditórias do governo confundem o mercado
Embora preocupante, situação das contas públicas ainda não chegou a um ponto crítico para o país
“O Brasil está cansado de diagnósticos. O Brasil está cansado de programas. O Brasil está cansado, realmente, de sugestões. O Brasil está precisando de um pouco de ação. Se continuarmos a dar indicação de que não estamos preocupados com esse problema, nós vamos colher os frutos pela frente e, certamente, serão frutos podres”, afirma ele. Para o ex-ministro, só depois da consagração da Lei de Responsabilidade Fiscal e da demonstração aos entes federados de que ela "tinha pegado" é que se impôs alguma ordem à política fiscal da União, Estados e municípios. “Esquecemos isso?”, pergunta ele.
“O problema todo do Brasil hoje é de confiança entre o governo e o setor privado. O setor privado não acredita que o governo esteja realmente interessado no equilíbrio fiscal; que procura usar a política fiscal muito mais em função de ações eleitorais do que pensando realmente nos riscos futuros”, afirma Delfim. O drama desse negócio, afirma o ministro, é que o país está na iminência de dois fatos: o do rebaixamento do rating e, simultaneamente, a redução do estímulo fiscal americano. “Vai ser a tempestade perfeita”, diz ele.
Ainda sob controle
Outro ponto destacado pelo deputado é que o país hoje tem um montante de reservas em dólar bastante expressivo,numa situação ímpar na história do país, mas esses recursos são remunerados a uma taxa muito pequena. “Talvez fosse mais interessante termos menos reservas e aplicarmos esses recursos em infraestrutura. Essa situação, pode em princípio não ter uma ligação direta com déficit público, mas há sim essa relação”, sugere ele.
A sugestão de Anthony Garotinho é de transformar parte dessas reservas em investimentos e dessa forma o governo deixaria de tomar empréstimos colaborando para uma redução dos gastos com juros. “Estaríamos no rumo do equilíbrio das contas públicas”, garante ele. Essas medidas, na opinião do deputado, são as principais ações que colocaria o país numa situação mais cômoda.
“Acho também que a situação não está em seu ponto ideal, mas também não estamos como no passado, quando enfrentamos cenários bem piores. Eu diria que estamos numa fase intermediária. Mas a preocupação tende a aumentar, se o governo não controlar os gastos com pessoal e custeio e priorizar os investimentos em infraestrutura”, disse ele.
Vacas magras
Já para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), na discussão sobre as contas públicas faltam alguns dados que contribuem para o debate sobre a escassez de recursos. “Nos tempos de vacas gordas, antes da crise de 2008, quando a economia mundial avançava de vento em pôpa, o Brasil surfou alegremente desfrutando do bom momento”, afirma o senador. Ele ressalta, no entanto, que nessa época o governo não cogitou em aproveitar a maré e os fartos recursos para investir em infraestrutura, de forma a dar uma melhor sustentação à economia, além de criar condições para uma estabilidade estruturada, que hoje, segundo ele, está ameaçada.
“Finalmente, e mais uma vez, devemos insistir na necessidade de serem fechados os ralos pelos quais se esvaem bilhões. Apenas dois exemplos: em sonegação, ou evasão fiscal, o Tesouro deixa de arrecadar anualmente cerca de R$ 200 bilhões - contando apenas as pessoas jurídicas. Ao mesmo tempo, chega a R$ 70 bilhões por ano o prejuízo econômico com a corrupção”, afirma Simon.
Para o senador, o desastre fica completo com a política do BNDES de oferecer empréstimos bilionários com juros subsidiados a grupos econômicos de grande porte. “O governo busca recursos a juros de mercado e os transfere a empresários, como Eike Batista, que recebeu R$ 10 bilhões, e faliu. De tudo isso, podemos tirar lições sobre prioridades de governo, desperdício de dinheiro público e voluntarismo na condução da economia”,critica ele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário