quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eloir Rodrigues

Publicado em 14 de Dezembro de 2011, às 00h00min | Autor: Eloir Rodrigues - eloir@jmnews.com.br

Marcelo e Pauliki separados,independentes e mais fracos

Há uma incompatibilidade entre PDT e PPS. E o que se conclui disso tudo é que quem perdeu foi o ‘novo grupo’ político surgido em Ponta Grossa após as últimas eleições e que hoje parece estar enterrado a sete palmos.

A política gosta mesmo de pregar peças. E uma delas pode ter como protagonistas o deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) e o empresário Márcio Pauliki (PDT). Juntos, compartilhando o mesmo projeto político, ambos cresceram. Marcelo conquistou mandato de deputado, depois se reelegeu e, com a parceria de Pauliki, quase fizeram de Sandro Alex prefeito de Ponta Grossa. Sandro bateu na trave ao disputar a Prefeitura, mas fez golaço ao brigar por uma vaga na Câmara Federal. É hoje o único deputado federal ‘nativo’.
O sucesso dos irmãos Oliveira na política tem a ver com a participação do empresário Márcio Pauliki. Na última eleição municipal, ele foi, inclusive, o coordenador de campanha de Sandro. Ele não apenas colocou à disposição do candidato do PPS toda a sua estrutura de marketing, como foi para a rua e ralou peito na tentativa de conduzir Sandro ao cargo de prefeito. Ainda que o candidato do PPS tenha perdido no segundo turno, ficou um gostinho de vitória. Surgia, naquele momento, um novo e forte grupo político na cidade. Com cara, realmente, de novo.
Tanto que Marcelo conquistou o segundo mandato na Assembléia, e Sandro assegurou vaga em Brasília. Ao mesmo tempo em que os irmãos Oliveira ganhavam espaço no Legislativo estadual e federal, Márcio Pauliki assumia o comando da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), entidade cuja participação na política local é marcante ao longo de seus mais de 80 anos de história. E como era de se esperar, a Acipg deu ainda mais projeção a Pauliki, que contou para isso com a forcinha do Conselho de Entidades, criado com o papel declarado e específico de ser o “braço político” da associação.
Com os irmãos Oliveira revestidos dos mandatos de deputado estadual e federal e Márcio Pauliki à frente da Acipg, o novo grupo político emergido das últimas eleições parecia ganhar força, a ponto de assustar os grupos mais tradicionais da cidade. Porém, quando ninguém esperava, começaram a surgir sinais de que o ‘novo grupo’ já não era mais tão coeso. Pauliki passou a trilhar seu próprio caminho. A princípio, imaginava-se que poderia ser uma estratégia do grupo, de cada um seguir por um lado, delimitando seu próprio espaço, para depois novamente unir forças.
Mas quando Pauliki anunciou sua filiação ao PDT, ficou claro que o ‘novo grupo’ deixou de existir. Hoje, em virtude da conjectura nacional, simplesmente não existe a possibilidade de PDT e PPS caminharem juntos no plano municipal. Em Brasília, o PDT de Márcio Pauliki é governo, enquanto o PPS engrossa as fileiras da mais dura oposição. Aqui no Paraná, o PDT costura alianças com o PT com vistas às eleições municipais do ano que vem. Em Curitiba, por exemplo, o pedetista Gustavo Fruet deve ser candidato a prefeito, tendo como vice alguém indicado pelo PT. Já o PPS, no Paraná, pertence à base aliada do governador Beto Richa (PSDB). Tanto que Marcelo luta, com todas as forças, ter o apadrinhamento político de Beto em 2012.
Então, mesmo que os amigos Marcelo e Pauliki queiram caminhar juntos, politicamente falando isso já não é mais possível. Há incompatibilidade entre PDT e PPS. E o que se conclui disso tudo é que quem perdeu foi o ‘novo grupo’ político surgido em Ponta Grossa após as últimas eleições e que hoje parece estar enterrado a sete palmos. Separados e independentes, os irmãos Oliveira e Márcio Pauliki perderam força. Pior do que isso, fortaleceram os grupos tradicionais da esquerda e da direita, com os quais flertaram.
Marcelo corre o risco de não ter o apoio do governador. Só conseguirá evitar isso se neutralizar a resistência dos grupos de Plauto Miró Guimarães (DEM) e do prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB). Tarefa quase impossível. Ou seja, pode ser obrigado a lutar sozinho, caso insista em lançar candidatura. A situação de Pauliki é muito semelhante. Ao entrar no PDT, ele sonhou ser o candidato a prefeito apoiado pela esquerda. Mas a esquerda dá sinais de que não o quer como comandante, e sim como soldado. Logo, Pauliki também tende a caminhar sozinho, caso insista em brigar pela Prefeitura.
O destino parece ter mesmo pregado uma peça naquela ‘novo grupo’ surgido das últimas eleições. Com as peças postas no tabuleiro, e faltando agora menos de seis meses para a definição das alianças e das candidaturas, difícil imaginar um outro desfecho para esse enredo de ambição e poder.

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