sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A POLITICA E SEUS ACERTOS E DESACERTOS POR ELOIR RODRIGUES DO JORNAL DA MANHÃ.

Eloir Rodrigues

Publicado em 24 de Fevereiro de 2012, às 06h00min | Autor: Eloir Rodrigues - eloir@jmnews.com.br

Barbiero mais perto do PT. E PPS mais longe de Pauliki

A movimentação dessas peças no tabuleiro eleitoral, com aproximações e distanciamentos de antigos e novos aliados, pode ter muitos desdobramentos

Dois fatos políticos ocorridos nos últimos dias certamente terão ampla repercussão, em breve, no cenário eleitoral de Ponta Grossa. Enquanto o PPS do deputado estadual Marcelo Rangel e seu irmão e deputado federal Sandro Alex, descartaram publicamente a possibilidade de participar do chamado ‘bloco independente’ e apoiar o empresário Márcio Pauliki (PDT) como candidato a prefeito, o coordenador regional do PR (Partido da República) se aproximou ainda mais do PT, ao ponto de o deputado federal André Vargas declarar, também em público, que o partido trabalha sim com hipótese de apoiá-lo na disputa pela Prefeitura de Ponta Grossa.
A movimentação dessas peças no tabuleiro eleitoral, com aproximações e distanciamentos de antigos e novos aliados, pode ter muitos desdobramentos. No caso do PPS, por mais que o afastamento político entre os irmãos Oliveira e Márcio Pauliki fosse uma possibilidade nas eleições deste ano, até então não havia se concretizado. A posição categórica anunciada pelo PPS, de não aderir ao bloco suprapartidário e, mais do que isso, convidar Pauliki e o PDT para apoiar a candidatura indicada pelos irmãos Oliveira, é passível de várias interpretações.
Se Marcelo não quer apoiar a candidatura de Pauliki é porque ele mesmo pretende ser candidato a prefeito, com ou sem o apoio do governador Beto Richa (PSDB). Ou, num outro cenário, estaria disposto até mesmo a abrir mão de uma candidatura para permanecer na bancada de apoio do governo na Assembléia, apoiando o nome indicado por Beto. Neste caso, o mais provável seria uma candidatura do deputado Plauto Miró Guimarães (DEM) para prefeito, com o reitor João Carlos (PSDB), de vice.
Se bem que nos últimos dias pessoas muito próximas de Plauto voltaram a afirmam que dificilmente o democrata se arriscará a trocar as mordomias de deputado governista e primeiro-secretário da Assembléia pela espinhosa cadeira de prefeito de Ponta Grossa. Mas, mesmo se Plauto não for candidato, o PSDB ainda tem como opção o reitor João Carlos, que é o “plano B” do prefeito Pedro Wosgrau Filho para fazer frente ao projeto de uma candidatura de Marcelo com o apoio de Beto.
Ao descartar o apoio a Pauliki, Marcelo apegou ao argumento da incompatibilidade partidária, uma vez que o PPS pertence à bancada de apoio ao governador. Ao optar, portanto, em ficar na base governista, o deputado parece ter aceitado as regras do jogo, ou seja, para ser candidato a prefeito com o apoio de Beto terá que derrubar duas grandes muralhas: a eventual candidatura de Plauto e a resistência de Wosgrau, que é presidente da executiva municipal do PSDB, em se aliar aos irmãos Oliveira. Essa última muralha, em especial, é quase intransponível.
De qualquer forma, o fato é que, pelo menos num primeiro turno, Marcelo Rangel, Sandro Alex e Márcio Pauliki, os “três mosqueteiros” das últimas eleições em Ponta Grossa, não estarão no mesmo palanque. Quem sabe num segundo turno?
Saindo do campo do distanciamento e entrando na arena das aproximações, é possível dizer que aliança de João Barbiero (PR) com o apoio do PT, num esteve tão perto. Ontem, o deputado federal André Vargas, que é um dos caciques do Partido dos Trabalhadores no Paraná, voltou a dizer que esse é um cenário possível se concretizar em Ponta Grossa. De acordo com ele, se por qualquer motivo o deputado Péricles de Holleben Mello não for candidato pelo PT, Barbiero assumirá a cabeça de chapa, com apoio da sigla petista.
Ainda ontem, mais tarde, o presidente da executiva estadual do PT, deputado Ênio Verri, até admitiu a possibilidade de aliança com Barbiero e o PR em Ponta Grossa. Porém, ele foi firme ao dizer que o partido terá candidato próprio a prefeito, e que a cabeça de chapa será sim ocupada pelo deputado Péricles. Para Ênio Verri, o problema de Péricles com o Tribunal de Contas não será suficiente para impedi-lo de ser candidato, devendo ser resolvido em breve.
Os próximos dias, portanto, prometem ser intensos. Nas trincheiras da direita permanece a incógnita de quem será o apadrinhado pelo governador. Plauto segue como o favorito, João Carlos é opção, mas Marcelo também permanece no páreo. Já nas trincheiras da esquerda, Péricles se fortalece como primeira opção, por ser do PT de Gleisi e Paulo Bernardo, mas Barbiero deve estar no mesmo palanque, seja como candidato ou mero aliado. No meio desse tiroteio, Pauliki, do PDT, tenta abrir uma terceira trincheira, que ele chama de independente, mas que tem uma forte vocação à esquerda.
Todos se prepararam para o embate eleitoral que não tarde a começar.

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