segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ENQUANTO ISSO OS ESTRANGEIROS SE ESBALDAM DE GANHAR DINHEIRO NO BRASIL - PORTAL TERRA.COM.BR

O jogo de Mittal no Brasil

Saiba como o bilionário indiano Lakshmi Mittal irá aproveitar a Copa do Mundo, a Olimpíada, os investimentos em infraestrutura e o aumento do consumo no País para ampliar sua fortuna e reforçar os negócios de sua siderúrgica, a ArcelorMittal.

Por Luiz Fernando SÁ, enviado especial a Londres e Hugo CILO
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Assista à entrevista com o diretor editorial-adjunto da Editora Três (à dir.), Luiz Fernando Sá e o editor Hugo Cilo


Lá está ela de novo na sua tevê. A Orbit, imensa torre escarlate de 115 metros de altura, feita de aço contorcido numa espiral, rivaliza na cena com o Estádio Olímpico de Londres –também uma estrutura metálica, mas bem menos polêmica. Goste-se ou não, o fato é que a gigantesca armação virou um dos símbolos da Olimpíada e, agora, da recém-iniciada Paralimpíada. E, quando as festas esportivas acabarem, ficará como o ícone da recuperação daquela que já foi a mais degradada região da capital inglesa, o East End. Pode, ainda, entrar para a história corporativa como um marco na trajetória de Lakshmi Mittal, o indiano que se tornou o homem mais rico da Inglaterra, dono da maior companhia siderúrgica do mundo, a ArcelorMittal, e responsável pela doação do monumento de US$ 35 milhões para a cidade de Londres.
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"Sonho em deixar um legado e estou no caminho de atingir esse objetivo" - PRESENTE: A Torre
Orbit, erguida ao lado do Estádio Olímpico, custou R$ 70 milhões
e foi doada por Mittal para a cidade de Londres
Durante boa parte do período olímpico ele postou-se aos pés da Orbit e, como um bom anfitrião, recebeu os visitantes que pagavam 15 libras (cerca de R$ 50) para tomar o elevador e ter direito à melhor vista do Parque Olímpico. Ali, recebeu também a rainha Elizabeth II, a quem explicou a complexidade e os desafios de erguer uma torre daquelas.
– Ela é sua? – perguntou a soberana, impressionada.
– É nossa, Sua Majestade – respondeu o bilionário.
O curto diálogo significou, para Mittal, retorno para cada centavo investido na Orbit.
Com o reconhecimento real ele começava a concretizar o sonho de renovar também a sua imagem, saindo da fileira dos empresários arrojados, mas arrogantes e perdulários e ingressando na turma dos poderosos filantropos. “Queria ajudar a construir algo que fosse icônico e se tornasse um símbolo não apenas para a Olimpíada, mas também para Londres, contribuindo para a revitalização da região”, disse Mittal à DINHEIRO, em uma rara e rápida entrevista exclusiva. “Sonho em deixar um legado e acredito que estou no caminho de atingir esse objetivo.” O que fará a seguir, disse ainda não saber. “Ainda estamos saboreando Londres 2012”, afirmou (leia trecho da entrevista ao final da reportagem).
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Queda no ritmo de produção da europa, como na planta de marselha, na França,
motiva investimentos em novos mercados.
ARSENAL DE TACADAS Assim como os Jogos encerram um ciclo de quatro anos e iniciam um novo, o homem do aço agora olha em frente. A tocha olímpica chega ao Rio de Janeiro em 2016, mas Mittal quer o Brasil sobre sua mesa desde já. Ele determinou aos seus dois principais executivos no País – Jefferson de Paula, CEO da divisão de aços longos para as Américas, e Benjamin Baptista Filho, CEO para aços planos na América do Sul – que levem a ele, em novembro próximo, um amplo diagnóstico de oportunidades de negócios em solo brasileiro, que deve superar R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos.
O arsenal de tacadas deve conter investimentos e aquisições nas áreas em que o grupo ArcelorMittal já atua e também em novas frentes que apresentem potencial de crescimento e lucro. A tarefa é desafiadora, mas a conjuntura econômica joga a favor dos executivos brasileiros. O próprio Mittal confidenciou a assessores estar impressionado com os números previstos para as obras de infraestrutura incluídas no plano de R$ 133 bilhões, anunciado recentemente pela presidenta Dilma Rousseff. Na companhia já se calcula que isso demandará um significativo aumento na produção nacional de aço, que somou 34,6 milhões de toneladas nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Aço Brasil.

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